COMO MANTER A IGREJA VIVA?

Por Rev. Renan Oliveira

Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 1:10-20, onde o profeta repreende a Igreja do Antigo Testamento, chamando seus líderes de príncipes de Sodoma e Gomorra, cidades famosas pela devassidão e iniquidade. O povo de Deus havia se corrompido ao ponto de Deus não mais ter qualquer prazer em receber o culto e a adoração dele. Infelizmente, esse quadro de decadência e corrupção da Igreja de Deus neste mundo se repetiu por muitas vezes através da história. Nestes períodos o povo de Deus esfria em sua fé, endurece o coração, persevera no pecado e serve de péssimo testemunho ao mundo. Nosso dever como Igreja e cristãos individualmente é evitar que a decadência espiritual entre em nossas vidas. Existe quatro coisas que podemos fazer para evitar o declínio espiritual da Igreja, com a graça de Deus.
(1) Tratar o pecado com seriedade. Nada arruína mais depressa a vida espiritual de uma comunidade do que permitir que os pecados dos seus membros permaneçam sem ser tratados como deveriam. Lemos na Bíblia que quando Acã desobedeceu a Deus toda a comunidade sofreu as consequências. Nossos pecados não são problema: mas os nossos pecados ocultos, escondidos, não confessados, nem arrependidos, se constituem num tropeço espiritual, que entristece o Espírito de Deus, e acaba se espalhando pela Igreja e envenenando os bons costumes e a fé. Mesmo que um membro da igreja peque, a comunidade da fé não pode negligenciar a disciplina do irmão que cometeu a falta. Uma das marcas da igreja sã, que prioriza a vontade de Deus, é justamente a disciplina eclesiástica. Contudo, não tem sido essa a prática de muitas igrejas. Há igrejas que estão há décadas ou anos sem disciplinar qualquer pessoa. Isso é preocupante, visto que é impossível que uma igreja tenha passado anos e anos sem qualquer problema passível de disciplina, salvo se a igreja for composta por anjos.
(2) Zelar pela sã doutrina. A verdade salva e edifica a Igreja, mas a mentira é a sua ruína. A mentira envenena as almas e desvia o povo dos retos caminhos de Deus. O Senhor Jesus criticou severamente a Igreja de Pérgamo por ser demasiadamente tolerante para com os falsos mestres que infestavam a comunidade com falsos ensinos (Apocalipse 2.14-15). Da mesma forma, repreendeu a Igreja de Tiatira por tolerar uma mulher chamada Jezabel, que se chamava profetiza, e que ensinava os membros da Igreja a praticar a imoralidade (Apocalipse 2:20). Devemos ser pacientes e tolerantes, mas nunca ao preço de comprometermos o ensino claro do Evangelho. Fazendo tal coisa, comprometeremos o testemunho da igreja, o culto a Deus, a santificação dos membros da igreja e a própria segurança eterna.

(3) Andar perto do Senhor da Igreja. É Deus quem nos mantém firmes e puros. A Bíblia diz que se nós nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós. A Bíblia também nos ensina que Deus estabeleceu os meios pelos quais podemos estar em contínua comunhão com Ele. Estes meios são: os cultos públicos, o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a comunhão dos santos, as orações e devoções em particular, a leitura e a meditação nas Escrituras e a participação regular na Ceia do Senhor. Cristãos que deixam de usar estes meios acabam por decair espiritualmente, como uma brasa que é afastada da fogueira e logo perde seu calor. A negligência destes meios de graça abre a porta para a acelerada decadência espiritual e moral de uma Igreja. Mesmo que aparentemente tudo esteja bem, as atividades estejam fluindo e o culto aparentemente “cheio”. Sem devoção pública e pessoal, segundo os moldes da Escritura Sagrada, não haverá caminhada cristã, perto de Cristo.
(4) Deve estar aberta para reformar-se pela Escritura. O lema das Igrejas que nasceram da Reforma (A Igreja Presbiteriana é filha da reforma protestante) foi “Eclesia Reformata Semper Reformanda”. Ou seja, a Igreja deve sempre estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se de seus pecados e reformar-se em conformidade com o ensino das Escrituras. A proposta da reforma não é mudar a igreja segundo o nosso tempo, reformando-a segundo os conceitos contemporâneos. Quando esse ditado foi formulado, foi pensando justamente na nossa tendência em se afastar das Escrituras de modo que precisaríamos nos voltar regularmente para elas, a fim de sermos mais conformados com a vontade de Deus.
Nas cartas que mandou às igrejas da Ásia Menor através do apóstolo João, o Senhor Jesus determinou, às que estavam erradas, que se arrependessem e retornassem aos retos caminhos de Deus (Apocalipse 2.5,16,21; 3.3,19). Elas precisavam ser reformadas e mudar o que estava errado segundo as Sagradas Escrituras. Existe grande perigo para uma igreja quando ela se fecha em si mesma, e deixa de ouvir a voz do seu Senhor, que deseja corrigi-la e trazê-la de volta aos caminhos do Evangelho.
Estas medidas devem também ser aplicadas a nós, individualmente. Deveríamos procurar evitar a decadência espiritual da nossa prática religiosa, mantendo acesa a chama da fé pela frequência regular aos cultos, pela leitura diária da Bíblia, por uma vida de oração e comunhão com outros irmãos. Infelizmente, por negligenciarem sua vida espiritual, muitos cristãos estão contribuindo para enfraquecer o testemunho de suas igrejas locais.

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