NÃO CONTE COM A AJUDA DO COMTE

Por Rev. Renan Oliveira

A batalha se dá no presente visando conquistar o futuro – os inimigos do Cristianismo são muito pacientes para isso. Para controlar o futuro é necessária a guerra no presente. A educação é a fundamental arma, o mais importante instrumento, o escolhido campo de batalha que os humanistas, secularistas, modernistas, descrentes escolheram. Quem controla a escola governará o mundo por meio dos que foram formados segundo a visão de mundo estabelecida na escola.

Basicamente o humanismo ensina que o homem está no centro – não é que ele estará se ele quiser, mas que ele está. Ele prega a religião do homem, e para o homem. Propaga a ausência de culpa moral para pavimentar a elevação do homem. Segundo essa filosofia, o Estado também deve substituir a família e a igreja – porque supostamente causaram muitos males ao mundo. A autoridade familiar, espiritual e a liberdade individual são substituídas por um ente impessoal – o Estado. Ele vai determinar, segundo a pseudo ciência, o que você pode ou não pensar e fazer.

Como o Estado é sua “arca de salvação” e a mensagem dessa religião é a ciência positivista, ninguém melhor do que Augusto Comte (1798 – 1857) para falar sobre a sua solução bastante coerente em todo esse contexto humanista. Ele afirmava que socialmente o mundo passou por duas fases, até chegar à terceira fase, na qual nos encontramos.

A primeira fase é a era da religião e do mito. A segunda fase é a era filosófica e metafísica. Nessas duas primeiras fases, havia uma espécie de – segundo ele – infância e adolescência da sociedade; professores e alunos buscavam transmitir e aprender o significado das coisas. A ênfase recaia sobre o intento de entender e conhecer a realidade como criação de Deus; e, por isso, era fonte de conhecimento/ciência. No terceiro, e último degrau, encontramos a fase madura e consequentemente interessada em estabelecer o pensamento científico e a tecnologia como basilares, propulsoras e controladoras da sociedade. Ela pode também ser identificada pelo nome de “metodológica”. Nela o pragmatismo conduz os interesses, os “usos” e a existência das coisas, ou seja, o homem usa as coisas, deve apenas se preocupar com a forma como as usa e se tem os efeitos pretendidos. E o instrumento seria a ciência!

Foi a partir desse pensamento que se criou a expressão “tecnocracia”, que em suma propõe que os “cientistas”, das mais diversas áreas, deveriam governar, decidir e implementar políticas públicas e controlar a sociedade a partir da “ciência”, pois é o que dá certo (pragmatismo). Quando se fala de “ciência”, fala-se em “método científico” da maneira mais imprecisa e falsa possível.

Quanto à educação não seria diferente. A educação que escolhe explicar, ensinar, mostrar o significado das coisas criadas por Deus, investigando a criação (não a natureza) como criação divina, aprendendo o significado correto dado por Deus a tudo, e demonstrando isso para os alunos, não estaria nessa terceira fase tão “elevada cientificamente”.

Para humanistas em geral, em especial os positivistas (Augusto Comte), a educação que busca conhecimento, aprender significado, buscar à verdade é indesejado. O homem deve aprender a abrir mão dela. Essa forma “antiga” retarda o progresso da sociedade, logo, precisa ser eliminada.

Justamente por causa dessa falsa ideia de ordem e progresso científicos, o Estado controla a educação mesmo em escolas particulares no Brasil. Querem garantir que o Estado mantenha tudo cientificamente. Com professores capacitados  e certificados cientificamente (e oficialmente). Com método constatado cientificamente. Com livros ensinando cientificamente. Um verdadeiro assassinato à ciência de verdade. O foco dessa fase positivista da sociedade, em resumo, é utilizar bem as causas e se concentrar na forma de uso.

A educação brasileira não está preocupada com o saber, com a ciência de verdade, pois nega a Deus e a sua Palavra. A história nos dá a bela lição de que a ciência e os avanços se deram a partir de sociedades onde o cristianismo ainda era latente e pungente. Tudo começa com a verdadeira religião, que é a verdadeira ciência e assim a ciência verdadeira surgirá. Não é possível ciência da criação, sem a ciência do Criador. Da distância de Deus não surge a ciência. Observe os textos bíblicos que testemunham essa verdade:

Jó 21.22: Acaso, alguém ensinará ciência a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?

Jó 12.13: Não! Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento.

Jó 28.28: E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento.

Provérbios 1.7: O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.

Provérbios 21.30: Não há sabedoria, nem inteligência, nem mesmo conselho contra o SENHOR.

Jeremias 3.15: Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência.

Daniel 1.17,20: Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos. […] Em toda matéria de sabedoria e de inteligência sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino.

Os mais reconhecidos cientistas do mundo não foram educados sob a régia filosófico-educacional do construtivismo, positivismo, relativismo. A religião e a ética que fundamentava essa educação não era ateísta, agnóstica, laicista, cientificista. Definitivamente não. Foram educados por professores cristãos, no temor de Deus, na sua esmagadora maioria. Num ambiente disciplinar rígido, com estudos baseados no método clássico cristão. O que lhes fora ensinado? A linguagem (gramática, lógica, retórica e oratória), as matemáticas (aritmética, álgebra, geometria, física), as ciências (história, biologia, química, geografia/astronomia), a música e a teologia (matérias geralmente do Trivium e Quadrivium).

Jacques Le Goff, em seu livro “Uma breve história da Europa”, nos trouxe uma informação muito importante:

“O francês Denis Papin (1647-1712) observa a força do vapor da água. Por ser protestante teve que se exilar da França em 1685. É na Inglaterra que ele inventa a caldeira que permite empregar a pressão do vapor da água para movimentar um pistão dentro de um cilindro. É uma revolução no campo da energia. Antes, essa energia para o trabalho era fornecida pelo homem, depois, com o moinho da Idade Média, pela água e pelo ar. O vapor permite o desenvolvimento da indústria moderna, que nasceu na Europa. Ela vai acionar inúmeras máquinas, e logo veremos barcos e locomotivas a vapor.” (LE GOFF., p. 104)

Denis Papin não é o único cristão, reformado/protestante, que pode ser lembrado. Homens como Johannes Kepler (1571-1630) e Isaac Newton (1642-1727) estão no rol dos que foram educados a partir de uma visão cristã clássica, sem nunca terem “pisado” numa escola como a que conhecemos hoje; e mesmo assim eram homens cultos, que faziam o seu trabalho como servos de Deus, com o propósito de conhecer a revelação de Deus na criação e glorificá-Lo.  

Não existia o absurdo antirracional que observa-se hoje, quando de forma fragmentada, ensina-se o conteúdo das múltiplas disciplinas descolado da realidade e desintegrado do todo (uma hiper fragmentação do saber –– a tal das especialidades). O conteúdo, assim como no passado, deve ser transmitido de forma relacionada, demonstrando a universalidade dessas verdades e a integralidade entre todos esses saberes dados por Deus. A aula é de ciências, não de biologia ou química, que por sua vez é relacionada com a matemática ou a música, pois o conhecimento é ensinado de maneira holística.

Portanto, se precisar de ajudar não conte com o Comte. Conte com Jesus Cristo.

Imagem do topo: Allegory of princely education, Jeremias van Winghe. Domínio Público

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